Precisamos Reconquistar o Grande Público para a Arte Cinematográfica – Muleque, Té Doido 2 – A Lenda de Dom Sebastião (2016) de Erlanes Duarte

mlk

Na década de noventa do século passado, enquanto o mundo festejava o centenário do cinema, Marco Ferreri observava o seu gradativo eclipse ao realizar Nitrato de Prata (1996). Hoje, com base neste axioma é que devemos observar que diante de um fenômeno de público tão exitoso quanto o que já se tornou “Muleque, Té Doido 2 – a lenda de dom Sebastião (2016)”, o trabalho da crítica deve conter moderação, mas, acima de tudo transparência e honestidade.

Sob um olhar mais técnico é evidente que a nova comédia de Erlanes Duarte está mergulhada em imprecisões (direção, roteiro, fotografia, direção de arte, direção de atores etc.), muito embora neste aspecto tenha evoluído significativamente em relação ao trabalho anterior, como por exemplo ilustra o fato do antes inconsistente personagem do Químico agora ter recebido um plus ao ganhar um amigo/assistente, tal como a escolha do personagem Daniel de La Touche ter finalmente ganhado justificação plausível, além é claro da inserção de cenas de animação bem estruturadas que aumentaram o nível de credibilidade imagética da trama, mas, todas estas questões se tornam acessórias pelo fato da obra conter elementos que arrastam verdadeiras multidões às salas de cinema, e por isso o referido filme é digno de aplausos.

O longa-metragem narra a história dos quatros (anti)heróis carismáticos e caricatos recém saídos da batalha para salvar a cidade de São Luís de um afundamento profetizado pela lenda da serpente que guarda a capital do Maranhão, que finalmente resolvera se efetivar. Após o êxito na situação o grupo é novamente confrontado com uma grande aventura: impedir que um touro encantado leve ao êxito a antiga tarefa da serpente subterrânea. A inserção da personagem Luna é significativa e traz conflito afetivo e fôlego – embora seu amigo, conterrâneo e par seja quase totalmente insignificante – para Erlanes e sua trupe, outro ponto que encorpa o desenrolar da história são os novos membros da Gangue da Bota Preta, dentre os quais merece destaque Maiobinha, que protagoniza cenas de gargalhadas intensas, levando os espectadores a vibrar e aplaudir fortemente a cada nova aparição sua.

Todavia, mais do que incansáveis tomadas de risos fáceis o filme proporciona ao seu público alvo um verdadeiro resgate de sua própria história e cultura desde uma perspectiva infantil, por exemplo, como não se emocionar com a cena onde o personagem Sorriso aparece rodeado de crianças, puxando brinquedos/carrinhos criados a partir do reaproveitamento de tubos de água sanitária de plástico? Impossível. Bem ou mal, o fato é que o longa divide opiniões, lota salas de cinema por onde passa e termina apontando para uma terceira parte da trilogia, que de saída deverá encontrar muitos entusiastas. Destarte, o filme traz no seu bojo uma mensagem sublimar: precisamos reconquistar o grande público para a arte cinematográfica.

14956543_1118100554970744_5419941206834173534_n

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s