No Limite da Razão – A Empatia é uma Arma Quente

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Nos últimos tempos, estava com uma relação problemática com o cinema, o espaço que até bem pouco tempo era meu refúgio e meu maior laço de identificação, tinha perdido um pouco do seu brilho. No começo, pensei que fosse devido a uma certa saturação por ter visto muitos filmes ultimamente. A quantidade nunca teve relevância, mas, o prazer por ver filmes, sim, e de fato, a minha relação com a experiência cinematográfica se tornou automática, técnica e fria. Era como transar por transar da maneira mais sem graça possível, só meter e ir embora, como uma simples necessidade fisiológica, as vezes vale a pena, porém, uma conexão verdadeira tem muito mais significado.

As coisas não estavam certas, era claro que a simples tentativa de parar de ver filmes por um tempo, não me daria a resposta conclusiva que estava procurando. Após diversas experiências cheguei ao cerne do problema que era a “perda da minha inocência enquanto espectador”, meu olhar havia mudado e se tornado mais crítico, passei a enxergar movimentos, posições, planos e até os menores detalhes técnicos do filme. O meu estudo aliado com a minha incessante busca por conhecimento me levaram cada vez mais para o lado do realizador e do crítico, distanciando do espectador. É preciso ter um certo feeling para se tornar isento nesse meio mais especializado de cinema, a quantidade de filmes que você assiste, assim como a “barriga” intelectual de certas obras são as coisas mais importantes para as pessoas que detém tem um lugar de fala nesse espaço. A melhor parte disso é filtrar as coisas boas e ver só aquilo que você realmente quer. Quando somos jovens, queremos ser impressionáveis, é fácil incorrer no equivoco de nos colocarmos a frente dos filmes que queremos fazer e que vemos. A técnica e o conhecimento ajudam, mas resposta verdadeira está no sentimento e na sensibilidade do olhar.

Assisti filmes incríveis nesse período, mas não era uma experiência despreocupada, existia uma atenção excessiva pelo formalismo e pelo vislumbre técnico da obra. Isso estava prendendo meu desejo de entrega, arrebatamento e empatia pelos filmes. O cinema sempre foi meu lugar de refúgio, um alivio para minhas dores físicas e mentais, o lugar que sempre me deu as melhores experiências. Mas eu estava ficando severo e burocrata, fala sério, já tenho o direito pra me tornar um burocrata, não posso deixar isso acontecer com o cinema também. Minha certa ignorância e ingenuidade de menino, que quase todo dia pegava sua mochila e passava horas na locadora escolhendo filme, estava se perdendo. E de verdade, sem toda essa memória afetiva nada disso vale a pena, amo Stalker de Tarkovski, assim como amo Meninas Malvadas e O Diabo Veste Prada. Ser fiel a essa história e a esses sentimentos, esse é o cinema que acredito e a verdade que eu me apego.

Tudo isso, porque hoje eu tive uma experiência memorável no cinema, fui assistir O Bebê de Bridget Jones. Ao longo da minha vida criei uma conexão muito pessoal com os outros dois filmes, eles sempre foram uma cura para as bads e os problemas. Fui animado, porém, ciente que poderia me decepcionar, já que continuações sempre são perigosas. Para minha grata surpresa, o filme foi incrível e principalmente divertidíssimo. Não me lembro quando foi a última vez que ri tanto sem parar, nesse quesito, coloco junto a outros filmes memoráveis como As Branquelas e Jackass. A sala estava quase lotada, todos rindo ali e se divertindo com Bridget Jones, isso reforça a beleza singular de assistir a um filme numa sala de cinema. Toda essa empatia, me levaram a ter um  momento de alegria genuína, revelando a resposta do problema revelado nesse texto. Quero viver por pequenos prazeres como este, porque o amor não está nas grandes demonstrações, ele é construido e está nas pequenas coisas.

Já tive dias ruins, onde só pensava em ir pra casa, comer um pote de sorvete todo e assistir Bridget Jones ou Casamento Grego ou algum filme do Woody Allen, porque sabia que certamente esse era o melhor remédio. Gratidão por ter tido O Bebê de Bridget Jones e Casamento Grego 2 esse ano nos cinemas.

Perguntaram para Billy Wilder, quando ele estava chegando na América, qual era o motivo de sua entrada no país, ele respondeu “Fazer bons filmes”. E isso Basta!!

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