Top 10 Filmes Filosóficos do Século XXI

A arte cinematográfica, como um todo, já é figurinha carimbada entre os dispositivos didáticos das mais variadas áreas do conhecimento. Como sabemos, tornou-se quase impossível frequentar uma disciplina de sociologia sem assistir Tempos Modernos (1936) de Charles Chaplin e/ou de informática sem passar pelos Piratas do Vale do Silício (1999) de Martyn Burke. No que tange à filosofia, a situação se alarga de maneira descomunal se observarmos a produção cinematográfica do século passado. Destarte, a listinha ora apresentada visa apresentar películas que estão em interlocução direta com a chamada “mãe das ciências”, realizadas em nosso jovem século.

10 – O Mundo de Sofia – Erik Gustavson (1999)

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A palavra filosofia tem origem entre os gregos a partir da junção dos termos Sophia (sabedoria) e Phillos (amor e/ou amizade) e significa, em tradução literal, amor à sabedoria. Com uma produção inteiramente alemã, a trama apresentada em O Mundo de Sofia mostra a penetração da jovem Sofia (Silje Storstein) no meio filosófico, graças aos esforços de um professor de Filosofia excêntrico e extrovertido, Alberto Knox (Tomas von Brömssen), que a leva para conhecer pessoalmente grandes vultos do pensamento como Sócrates, Marx, Freud etc. Embora tenha sido lançado em finais dos anos 90, repercutiu bem na década passada e por isso merece nosso décimo lugar.

09 – Matrix – Lana e Andy Wachowski (1999)

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O mais clichê desta lista, mas, ainda assim indispensável. O filme apresenta a história de Neo (Keanu Reeves), um homem que divide o seu tempo entre o ofício de programador e as suas aventuras como hacker. Em um determinado momento de sua vida, Neo se encontra diante da questão: o que é a Matrix? Ao buscar respostas à pergunta, conhece um homem chamado Morpheus (Laurence Fishburne) que lhe impõe uma decisão ainda mais definitiva: a escolha entre a ilusão e a realidade. Outro licença cronológica merece ser dada a este filme, em virtude de sua importância e alcance teórico.

08 – Irreversível – Gaspar Noé (2003)

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Liberdade ou Determinismo? Qual o verdadeiro prisma da existência humana? Irreversível de Gaspar Noé é um grande motor de partida para discussões éticas, que conta ainda com uma das cenas mais violentas da história do cinema contemporâneo.

07 – HER – Spike Jonze (2014)

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Em um futuro não tão distante Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) vê seu casamento desmoronar. Desolado com a situação o homem perde seu fascínio pela vida até que conhece Samantha, um sistema operacional que se molda exatamente às suas preferências, o que o faz alimentar sentimentos nunca imaginados. O filme é um prelúdio às relações que os homens estabelecerão com as máquinas. Será? Um pouco de filosofia da mente é desejável para um mergulho profundo nas entrelinhas desta trama.

06 – Waking Life – Richard Linklater (2002)

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“(…) a vigília nunca pode ser distinguida do sono por indícios certos, fico estupefato e esse mesmo estupor quase me confirma na opinião de que estou dormindo” – Descartes. O filme é um verdadeiro passeio pelo universo onírico, com direito a reflexões profundas sobre temas clássicos da filosofia, psicanálise, religião e história. Merece a nossa sexta colocação.

05 – V de Vingança – James McTeigue (2006)

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Trabalhos sobre distopias, sociedades de controle e/ou totalitárias geralmente são frutíferos no cinema (O Show de Truman, 1984, A revolução dos Bichos, Fahrenheit 451 etc.), mas, o grande filme recente deste gênero é sem dúvidas V de Vingança. A trama narra a história de um sobrevivente de experiências biopolíticas que resolve dar inicio ao fim da forma de organização social vigente, mesmo que isso lhe custe um preço bastante alto. Um filme para discutir Foucault, Bakunin e outros gigantes da filosofia.

04 – Bernardo Bertolucci – Os Sonhadores (2003)

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Não constitui novidade a tentativa de fundir elementos essenciais da atividade humana através da chamada sétima arte. No entanto, raros foram os trabalhos cinematográficos que lograram êxito nesta tarefa, tal como acontece com o tripé: sexo, arte e política, presente em Os Sonhadores – cujo a direção de Bernardo Bertolucci dispensa comentários. Logo no início do filme somos abruptamente lançados na atmosfera de Paris em pleno vigor de 1968, ou seja, às vésperas daquele Maio que se tornou imortal. O narrador-personagem Matthew (Michael Pitt) é um jovem americano que fora para a França aprender o idioma local, mas acabou aprendendo de fato a viver à francesa (ontologicamente falando) ao conhecer os gêmeos Isabelle (Eva Green) e Théo (Louis Garrel), com os quais partilhava da paixão pelo Cinema. Acossado (1960) de Jean-Luc Godard, Luzes da Cidade (1931) de Charlie Chaplin e Rainha Christina (1933) de Rouben Mamoulian são alguns dos muitos filmes citados – os quais merecem todos ser conhecidos ou revisitados após o longa de Bertolucci – que fornecem o clima de sonho aos sonhadores. Do sonho, da abstração, do ideal: despencamos juntamente com o triângulo cinéfilo para uma cidade em decadência. A greve geral fora decretada pelos Conselhos Operários que pediam a revolução social em todas as ruas e deixavam o nosso filme em aberto: isso é apenas o começo, a luta continua.

03 – Mad Max: Estrada da Fúria – George Miller (2015)

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Quem disse que tiroteios, carros, e muita, muita ação não combinam com tramas mais elaboradas? Mad Max: Estrada da Fúria é a prova viva disso. Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) é o senhor de uma cidadela massacrada pela seca, até que em um belo dia de sol tem inicio uma verdadeira revolução. O filme é a alternativa recente melhor elaborada para uma introdução ao pensamento Marxiano.

02 – Cidade dos Sonhos – David Lynch (2001)

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Desde Crepúsculo dos Deuses (1950) conhecemos abertamente os efeitos perversos que a indústria cinematográfica pode causar em seus membros, certo? Certo, mas, em Cidade dos Sonhos de David Lynch, observamos de maneira ímpar o impacto do crivo social na formação da subjetividade humana. O filme brinca com o aparelho psíquico freudiano e através de quebra-cabeças e metáforas nos coloca diante de construções oníricas, que ao revés de serem fantasias positivas e tranquilamente concretizadas, apresentam-se como verdadeiros pesadelos. Vale o nosso segundo lugar.

01 – O Guia Pervertido do Cinema – Sophie Fiennes (2006)

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Os trabalhos do esloveno Slavoj Žižek (1949-) atravessam campos do Marxismo, Hegelianismo e Psicanálise, e, a partir deste último o pensador dedica-se também a chamada sétima arte. Em 2006, quando veio à tona o filme/documentário Pervert’s Guide to Cinema dirigido por Sophie Fiennes (1967-) o esloveno consagrou-se de vez como o crítico de cinema – sob orientação Psicanalítica – mais irreverente, inteligente e aclamado em todo o mundo. A partir dos trabalhos de cineastas como Alfred Hitchcock (1899-1980), Andrei Tarkovski (1932-1986) e Charlie Chaplin (1889-1977) etc., Zizek é capaz de nos conduzir pelas dimensões mais sublimes da arte cinematográfica. Para o filósofo “O cinema é a mais perversa das artes. [Pois] ele não te dá o que você deseja, ele te diz como desejar”. Este filme/documentário passeia pelas entranhas da filosofia e da sétima arte, e por isso merece irremediavelmente o nosso primeiro lugar!

 

 

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